terça-feira, 25 de agosto de 2020

O Velho, o menino e o burro.

A algum tempo eu guardava para mim meus desejos, vontades e sonhos, com medo ou receio do que as pessoas iriam pensar disso. Eu tinha a necessidade de sempre me explicar para todos sobre fatos da minha vida, os quais pertenciam somente a mim e a mais ninguém! No final eu sempre acaba ouvindo algo que não me agradava e pensava: “talvez eu tenha mesmo que mudar de opinião sobre isso”! Só que quando eu mudava, achava outra pessoa que não concordava com a outra opinião atual! Pensava: “estão todos contra mim, não é possível!”

Até perceber que não se tratava de estar contra mim ou ao meu favor. E sim se eu realmente acreditava no que eu estava pensando ou fazendo!

E me lembrei de uma fábula muito interessante.

 

O Velho, o menino e o burro.

 

O homem de idade um pouco avançada queria vender o burro.
Então, chamou o seu garoto, pediu que ele trouxesse o burro e partiram os três rumo à cidade.

O velho e o menino foram andando na frente; o burro atrás.

Ao vê-los, um viajante montado num belo cavalo alazão não se conteve e disse:

– Que absurdo! Um velho a andar a pé e um animal folgado com o lombo vazio. Aposto que esse burro deve ser ruim demais e não aguenta carregar peso.

Ao ouvir aquelas palavras, o velho ordenou ao menino:

– Eu vou montar no burro e você nos puxa. Assim, vamos calar a boca de todo mundo.

E lá se foram eles.

Mas, quando atravessaram um rio, ouviram o comentário de um pescador:

– Se eu contar, vão achar que é mentira de pescador… um marmanjo montado num burro e um menino a pé. Que malvadeza!

O velho, que não queria ficar com a fama de malvado, ordenou no mesmo instante que o menino subisse também no burro. E lá se foram eles.

Na entrada da cidade, encontraram Manoel, o amolador de facas, que ao vê-los, falou admirado:

– Pelos cabos de todas as facas! Como é que alguém pode querer vender um animal deixando-o cansado desse jeito? Bicho com a língua de fora ninguém compra… E, se compra, paga bem menos do que vale.

Ao ouvir aquelas palavras, o velho apeou no mesmo instante do animal e seguiu o resto do trajeto puxando o burro, que continuava com o menino montado em seu lombo.

Bastou aproximarem-se da entrada da cidade e um bando de meninos pôs-se a gritar:

– Olha o principezinho! Olha o principezinho! Tem até um lacaio para puxar pela rédea.

Ofendido por ter sido chamado de lacaio, o velho fez com que o menino descesse do burro no mesmo instante.

– Carreguemos o burro nas costas. Quem sabe, assim, contentamos a todos.

Mas adiante, ao verem o menino e o velho, carregando o burro, duas mulheres caíram na gargalhada.

– Rá! Rá! Rá! Três burros a caminho. Resta saber qual deles é o mais burro… Os dois que tem dois pés ou aquele que tem quatro? Rá! Rá! Rá!

– O mais burro sou eu, que, desde que saí de casa, tenho dado ouvidos aos outros. De agora em diante, só vou fazer o que bem entender – disse o velho.

 

Reflexão: Quantas vezes você deixou de fazer algo que queria, por que isso não agradava alguém? Ou até mesmo desaprovava o máximo de pessoas? E quando você mudou de opinião, disseram a você: Você precisa saber o que quer!

Em nosso caminho sempre haverá pessoas com opinião adversa a nossa, nem todas concordarão com os nossos pensamentos e atitudes!
Mas cabe pensar, se essas mesmas pessoas viverão suas vidas.

Às vezes vivemos como extensão da outra pessoa, com os desejos dela, com os pensamentos dela, com as emoções dela e esquecemos que somos seres individuais, prontos para seguir nosso caminho!

Não importa o que o outro fale de você, pense de você, ou, até mesmo, zombe de você.

No final do dia você conviverá apenas com você mesmo!

Será que vale a pena deixar de ser você? De fazer o que se gosta de fazer para agradar o próximo?

 

Vale a pena lembrar que quem tenta agradar todo mundo não agrada a ninguém!

 

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