A algum tempo eu guardava para mim meus desejos, vontades e sonhos, com medo ou receio do que as pessoas iriam pensar disso. Eu tinha a necessidade de sempre me explicar para todos sobre fatos da minha vida, os quais pertenciam somente a mim e a mais ninguém! No final eu sempre acaba ouvindo algo que não me agradava e pensava: “talvez eu tenha mesmo que mudar de opinião sobre isso”! Só que quando eu mudava, achava outra pessoa que não concordava com a outra opinião atual! Pensava: “estão todos contra mim, não é possível!”
Até perceber que não se tratava de estar contra mim ou ao meu favor. E sim se eu realmente acreditava no que eu estava pensando ou fazendo!
E me lembrei de uma fábula muito interessante.
O Velho, o menino e o burro.
O homem de idade um pouco avançada queria vender o burro.
Então, chamou o seu garoto, pediu que ele trouxesse o burro e partiram os três
rumo à cidade.
O velho e o menino foram andando na frente; o burro atrás.
Ao vê-los, um viajante montado num belo cavalo alazão não se conteve e disse:
– Que absurdo! Um velho a andar a pé e um animal folgado com o lombo vazio. Aposto que esse burro deve ser ruim demais e não aguenta carregar peso.
Ao ouvir aquelas palavras, o velho ordenou ao menino:
– Eu vou montar no burro e você nos puxa. Assim, vamos calar a boca de todo mundo.
E lá se foram eles.
Mas, quando atravessaram um rio, ouviram o comentário de um pescador:
– Se eu contar, vão achar que é mentira de pescador… um marmanjo montado num burro e um menino a pé. Que malvadeza!
O velho, que não queria ficar com a fama de malvado, ordenou no mesmo instante que o menino subisse também no burro. E lá se foram eles.
Na entrada da cidade, encontraram Manoel, o amolador de facas, que ao vê-los, falou admirado:
– Pelos cabos de todas as facas! Como é que alguém pode querer vender um animal deixando-o cansado desse jeito? Bicho com a língua de fora ninguém compra… E, se compra, paga bem menos do que vale.
Ao ouvir aquelas palavras, o velho apeou no mesmo instante do animal e seguiu o resto do trajeto puxando o burro, que continuava com o menino montado em seu lombo.
Bastou aproximarem-se da entrada da cidade e um bando de meninos pôs-se a gritar:
– Olha o principezinho! Olha o principezinho! Tem até um lacaio para puxar pela rédea.
Ofendido por ter sido chamado de lacaio, o velho fez com que o menino descesse do burro no mesmo instante.
– Carreguemos o burro nas costas. Quem sabe, assim, contentamos a todos.
Mas adiante, ao verem o menino e o velho, carregando o burro, duas mulheres caíram na gargalhada.
– Rá! Rá! Rá! Três burros a caminho. Resta saber qual deles é o mais burro… Os dois que tem dois pés ou aquele que tem quatro? Rá! Rá! Rá!
– O mais burro sou eu, que, desde que saí de casa, tenho dado ouvidos aos outros. De agora em diante, só vou fazer o que bem entender – disse o velho.
Reflexão: Quantas vezes você deixou de fazer algo que queria, por que isso não agradava alguém? Ou até mesmo desaprovava o máximo de pessoas? E quando você mudou de opinião, disseram a você: Você precisa saber o que quer!
Em nosso caminho sempre haverá pessoas com opinião adversa a nossa, nem
todas concordarão com os nossos pensamentos e atitudes!
Mas cabe pensar, se essas mesmas pessoas viverão suas vidas.
Às vezes vivemos como extensão da outra pessoa, com os desejos dela, com os pensamentos dela, com as emoções dela e esquecemos que somos seres individuais, prontos para seguir nosso caminho!
Não importa o que o outro fale de você, pense de você, ou, até mesmo, zombe de você.
No final do dia você conviverá apenas com você mesmo!
Será que vale a pena deixar de ser você? De fazer o que se gosta de fazer para agradar o próximo?
Vale a pena lembrar que quem tenta agradar todo mundo não agrada a ninguém!

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